RJ tem queda de 76% nas mortes cometidas por policiais após STF restringir operações em favelas
Dados do ISP mostram que de 348 vítimas entre junho e julho de 2019, estado passou para 84 vítimas no mesmo período, em 2020.
Por Matheus Rodrigues, G1 Rio
25/08/2020 03h00 Atualizado há 2 horas

Foto de arquivo: PMs e caveirão durante operação na Rocinha — Foto: Jose Lucena/Futura Press/Estadão Conteúdo
O número de pessoas mortas pela polícia caiu 76% no Rio de Janeiro após a determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) de suspender operações durante a pandemia da Covid-19.
Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio, os óbitos diminuíram de 348 em junho e julho de 2019 – quando não havia restrições na segurança pública do estado – para 84 no mesmo período deste ano. A queda no registro de vítimas coincide com a decisão do STF, no dia 5 de junho.
Se a comparação for feita apenas em relação a junho, quando a determinação do STF entrou em vigor, a queda no número de vítimas é ainda maior: 78%. Em 2019, foram 153 pessoas mortas por agentes do estado no mês, enquanto neste ano o número de óbitos foi de 34.
A determinação do ministro Edson Fachin, no dia 5 de junho, suspendeu a realização de operações das policias Militar e Civil durante a pandemia. No último dia 17, o STF decidiu ampliar as restrições depois que a maioria dos ministros votou pela imposição de novas regras para a segurança pública do RJ.
O professor de sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni), Daniel Hirata, disse ao G1 que o período sem operações não resultou em aumento de outros índices de criminalidade, principalmente de crimes contra a vida.
"É muito claro que essa queda nas mortes por intervenção de agentes do estado está associada à decisão liminar do ministro do Edson Fachin. A gente pode perceber uma queda no número de mortes, os antigos autos de resistência, mas também no número de feridos durante as ações", afirmou o coordenador do Geni, que analisa operações policiais desde 2012.
"Há um discurso bastante generalizado entre as polícias de que as operações são inevitáveis para controle do crime. Enquanto isso, a gente observa que as operações caíram, as mortes em geral caíram e os indicadores criminais não subiram. A gente começa a perceber que a preservação da vida não se opõe ao controle do crime”, completou Hirata.
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